Violação



- A madrugada mais fria de minha vida. Era tudo o que ela conseguia balbuciar quando lhe perguntavam sobre o que havia acontecido naquela noite.



- Escrito por: Will às 17h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Silêncio



Minhas professoras na escola achavam que eu era louco. Isso não era por meu jeito introspectivo que preocupava tanto minha mãe, mas por algo muito mais curioso. Eu adorava ler enquanto escrevia. Era tão maravilhoso ouvir o som ritmado de cada letra, cada ponto e vírgula surgiam. Arriscava uns ponto e vírgulas, (ousado, não?) desafinava, perdia o tom, mas recompunha tudo no próximo ponto. Ou voltava e tentava novamente, usando outras notas. Era um processo tão sonoro, tão rico, quase como compor uma música. Minha professora de Português se aproximava devagarzinho e tentava ouvir o que eu murmurava, mas não conseguia escutar. Quase ninguém consegue mesmo hoje em dia.

 

Ainda tenho essa mania estranha, mas disfarço o máximo que posso. Sabe como são os moralista perto de alguém não tão convencional. Quando estou em casa, sozinho, começo digitando simples palavras, consciente que não posso ir além, na tentativa vã de sanar meu vício momentaneamente (que palavra deliciosa esta), mas não bastava. Precisa de mais. Quando via já tinha um texto composto. Não há prazer maior do que sentir nas cordas vocais o que não é visível pelo homem comum. Saborear as consoantes bilabiais que saem quase como um beijo com certo gosto anasalado, meio envergonhado ou (ex)plosivo como um tiro, lá do fundo grande parte das vezes. Pitadinhas extras.  Sem falar nas consoantes mais rebeldes, que friccionam e deixam sua marca ou aquelas vibrantes que assustam pela sua força.  As vogais já são diferentes, são simétricas, dotadas de propriedade. Elas se acham, preciso admitir, mas únicas em seus contornos. Não importa. São todas um delírio para meus sentidos. Um prazeroso sexo verbal. (Renato Russo que me perdoe). No entanto, não é seu som isolado que chamam sua atenção, mas o sentido uníssono que criam. Minha escrita é produto disso. Minha escrita é o barulho mais ensurdecedor que conheço.

 

Quando passos esses longos tempos sem escrever, sinto como se uma voz tivesse se calado. Aquela que me diz para onde ir, o que fazer quando os caminhos parecem tempestuoso demais, terrivelmente silenciosos e obscuros.  O que escrevo tem o tamanho do mundo. Não é fatiavel e analisável. Não é bonitinho, legalzinho, rimadinho, nenhum outro “inho”. Nem “ão”. Muito menos material didático. Está além daquilo tudo que digo como ser humano comum, vulgar e ordinário. Tem cadência, perda de nota, erro de conjugação. É vivo. É a parte mais quente de mim. É o meu grito.

 

O silêncio é necessário, mas não é nele que está contido tudo aquilo que importa de verdade. É no conteúdo impreciso que está esse calor; da palavra impura que é expelida como um feto, procurando seu lugar no mundo. É a verdade. Vento farfalhando seus desejos obscenos entre as árvores. O mar. Barulho de rua cheia de movimento, de carros indo e vindo, de gente conversando, rindo, chorando, gozando, vivendo. Impactante. Inquietante como só ela pode ser. E me desculpe de verdade aqueles que amam o subentendido. O silencio não me satisfaz.

 

 



- Escrito por: Will às 02h49
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Sensação



É. Passou. Você com sua asquerosa arrogância e frieza talvez nunca saiba o quanto desejei isso. Nos meus lapsos de sanidade, aspirava adormecer de meus medos e despertar quando a tristeza deixasse de ser minha companhia sob a consciência de que não há mais dor para dor a doer. Redundâncias de um coração insensível. Intragável, mas que por azar e força do destino enfrentou e superou tudo que havia a enfrentar e superar. Mesmo assim, aqui dentro, quando me perco em meu intimo mais obscuro, sei com toda certeza que o vazio não foi embora.

Quando caminho pelos meus delírios sazonais, me pego pensando em você. Amável, redundante, quase intocável. Fico confabulando hipóteses do porque de nossos tantos "quases". Sei que não pensa mais em mim, que tua vida tomou rumos longes dos meus. Mas fico cá preso as possibilidades de tudo que já sonhei com você. Poderíamos ter visto o mar juntos em Porto Alegre? Estaríamos em nosso tão famigerado apartamento? Teríamos mesmo uma vida em conjunto tal e qual nós havíamos sonhado? E meu perco nessas remotas perguntas sem mais possibilidades para só depois recobrar a consciência e ver o que sobrou de minha vida em pedaços. Você talvez nunca tenha entendido meus sonhos.

Em minhas memórias, aquelas que guardo para momentos de delírio, me pego abraçado ao que ficou. Seu olhar torpe e confuso. Seu toque que me fazia rir. Seu sorriso desfocado, falando bobagens que até hoje não consigo compreender. Agarro essa saudade. Necessidade de ouvir a tua voz me dizendo coisas insensatas e imorais outra vez. Pequenas coisas grotescas e delicadas que tocavam meu coração. Ouço teu riso ao longe, zombando de mim, enquanto procuro sem sucesso teu rosto em tantos outros. Loucura secreta minha.

Hoje a mercê de meu rosto nunca mais encontrar com o teu, ainda mantenho gravado no peito as verdadeiras frias que me ofereceste. Lembranças de uma madrugada que demorou a clarear. Mesmo agora, com a luz do nascente, me recuso a enxergar que amei mais um de meus personagens. Acreditar que talvez de todas as suas mentiras amáveis, haviam algumas verdades bastantes dolorosas. Crer que talvez somente munido dessa luz consiga me entregar as minhas fraquezas e admitir que por mais que esteja preso a esse sentimento quase platônico e irreal, é a você que vejo. É a você que busco quando deixo sem pudor a chuva molhar meu corpo e me levar voando para longe daqui. Devaneio insensato meu.

E, hoje, depois de tanto tempo, por mais que admita com toda sinceridade que não sinto mais nada por você, queria do fundo do meu coração que estivesse aqui comigo agora.



Você talvez nunca entenda essa sensação.

 

 

 

 

 

We'll just fly...



- Escrito por: Will às 04h27
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Aprendendo a viver



"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.


Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais searrependerá pelo resto da vida.


Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, perceber que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.


Aprende que as circunstâncias e os ambientestêm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles ocontrolarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.


Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver comos tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens. Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.


Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.


Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar...que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. Aprende que nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar. E que realmente a vida tem valor e que VOCÊ tem valor diante da vida!"

 

 

William Shakespeare (Supostamente)

 

 

---

 

 

 

 

 

Resolvi postar esse texto, já que diz muito de mim mesmo e das pessoas que me cercam. Talvez, não aprenda todas as lições que devo aprender, mas não custa, pelo menos, tentar... Cya!



- Escrito por: Will às 15h37
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



A Verdade sobre a Amizade



Dizia eu que escreveria mais, mas ando escrevendo tão pouco quando sempre. É engraçado como isso me abala. Talvez não escreva tanto por que não conseguiria variar muito o tema, algo que transcorre em meu pensamento recluso nesse maldito apartamento: o quão falho é a amizade em si. Não tenho mais paciência pra ladainhas típicas de filme da Seção da Tarde. Como tudo que envolve a humanidade, a amizade não escapa da sujeira dos interesses pessoais e da podridão do egoísmo.

 

Dos meus 22 anos mal vividos, eu não fiz muitas amizades. Nem procurei fazer. Odeio a futilidade e superficialidade de relações vazias de sentido. Companheiros de festas, amiguinha forever, gente com um QI de ameba falando da coloração do céu. Odeio. Gosto de papo envolvente de pessoas de conteúdo; de humor refinado que sabem a hora certa de falar e de ouvir. Devido a raridade de encontro desse gênero de pessoa, cá estou eu sozinho datilografando essas linhas. No entanto, não confiro o titulo de minha solidão a essa única peculiaridade.

 

Todas as minhas amizades que acabaram mal e as que ainda resistem com dificuldade, sempre residem no espectro do interesse. O que você tem a oferecer a seus amigos? É justamente desse material que a maioria deles se alimenta. Quando vão embora, levam pedaços da gente, nos fazendo perguntar, muitas vezes, se ainda somos os mesmos...


Estou doente de pessoas que me procuram em busca de atenção. Estou cansado de pessoas que querem ser ouvidas, mas que não sabem ouvir. Cansado de pessoas que me dão atenção esperando exclusivamente recebê-la de volta. Cansado de pessoas apaixonadas que fazem joguinhos de interesse comigo. Cansado de pessoas que não sabem admitir que estão erradas e manipulam a verdade a favor delas. Cansado de pessoas que ficam dizendo palavras bonitas, mas que nas atitudes não demonstram nada. Cansado do conceito clichê de que amizade é aturar tudo que vem do outro sem reclamar.  Cansado de muita gente.

Quero amizade pura e irrestrita. Quero atenção dos que tiverem dispostos a dá-la sem cobrá-la mais tarde. Quero convites pra olhar a grama crescer, chamamentos para ver as flores das árvores nascerem no parque central da cidade. Sentimentos incomuns.  Quero risos, tempo livre, caminhadas em silêncio. Não quero neuroses, brigas, discussões por bobagens. Quero liberdade de dizer o que sinto e penso sem represarias. Eu quero sinceridade e lealdade.

E, por mais que muitas vezes vá contra mim mesmo, este é um giz de cera que não abro mão por ninguém definitivamente.

 

 

 

OBS: Eu construí uma ideia a partir da realidade, mas não estou falando de ninguém especificamente. Se você acha que tem alguma indireta pra alguém especificamente e que seu pai é o Darth Vader, procure ajude profissional.



- Escrito por: Will às 03h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Uma carta à Escrita



Olá Senhora

 

 

(Não sei se devo chamá-la de senhora. Não sei se é tão terna para receber essa nomeação, já que em muita em sua forma de agir nem sempre é vista como bela e sutil a meus olhos. Muitas vezes, causa temor e espanto aos homens. Por convenção chamo-lhe de senhora. Sabes como são machistas os homens da gramática, afeminando o que lhe é delicado a aparência.)

 

 

Enviei-lhe esta carta como um sincero pedido de desculpas. Sei que não devo lhe explicar a razão disso. Há muito vens se queixando de minha ausência. Dizendo a todos que lhe abandonei, que a pouco valorizo, que a procuro somente nos momentos mais impróprios. Quando proferistes estas agressivas palavras, em muito, estava certa. Eu realmente a abandonei. Andei por outras milhas, longe de tua casa. Queria mais atenção, sentir- me melhor comigo mesmo e pensei, assim, que seria mais feliz longe de ti. Estava errado. Completamente errado.

 

Quando abandonei tua matriarca, senti-me compelido a te abandonar também. Queria cortar laços. Contudo, com o passar dos meses, com as poucas vezes que nos vimos e com o modo que me trataste nessas visitas, senti-me extremamente angustiado. Tentei culpar o que não devia para somente mais tarde chegar à conclusão mais obvia de meu singular problema. Era você que precisava manter por perto. Não importa o quão tortuosos são os caminhos que prossiga, nem perigosas as rotas que peregrine, somente com tua imagem, com tua presença em meu ser, tudo parece se validar. Tudo realmente vale a pena afinal.

 

És a razão de me senti em frangalhos. És a razão de querer continuar vivendo. É por ti que murmuro nomes em minhas extensas viagens. É por ti que guardo minha espada e meu escudo e baixo minha cabeça, reverenciando seres invisíveis. Somente por ti que deixo de ser um rude, porem, nobre cavaleiro para me tornar um mendigo maltrapilho que anda por estas amargas estradas solitárias.

 

Com o coração em pedaços, sei que pode não mais me perdoar. Tens o direito de jamais olhar em meu rosto outra vez. Justamente por esta razão que lhe envio esta carta. Apesar de valente, não sou dotado de tamanha coragem a ponto de enfrentar teu rosto em fúria outra vez. Apenas peço humildemente teu perdão. Perdão pela minha ausência insolente. Perdão por abandoná-la por tanto tempo. Perdão por ser esse miserável sem rumo que porque mais tente acreditar que é alguém longe de ti, somente sente-se plenamente completo ao teu lado.

 

 

Por tua consideração e respeito.

De alguém que por mais que negue a si e ao mundo somente tem a agradecer a ti.

 

De teu cavaleiro errante.

 

 

---

 

 

 

 

 

Este texto é uma continuação de outro, que escrevi alguns meses atrás, chamado "Confissão".

 

 

---

 

Last Draw

 

Nos ultimos meses, ando sentindo uma angústia e, finalmente, entendi a causa. A falta de escrita. Antigamente, eu me preocupava tanto em ter algo bonito e bem feito para apresentar a todos (nunca a mim mesmo) que acabei tornando o ato de escrever um fardo. É normal num blog querer escrever para ser lido por alguém, mas há um limite antes disso virar uma obsessão Há um equilibrio entre fazer algo bonito para si e algo bonito para os outros e é, assim, que vou seguir a partir de agora.
A carta que escrevi acima é uma forma de me desculpar por todo esse tempo de ausência. Como é incrível te descobrir o que faz bem...
Amanhã a minha amiga Tici vem para cá. É a primeira vez que eu conheço alguém da net que vem de bastante longe. Aposto que vou ter inúmeras novidades para contar!
Cya!

 



- Escrito por: Will às 03h07
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Crescimento



Don't look me...

 

Desde criança, sempre fui bastante pessimista e distante. Não acreditava que coisas boas pudessem acontecer comigo, nem as considerava quando aconteciam. Era atípico em minha mente. A conseqüência disso não era nada boa. Esse tipo de pensamento acabou invariavelmente me tornando uma pessoa infeliz e solitária. Não que eu considerasse a solidão algo ruim, mas a forma como a via fazia parecer assim. Eu cresci e mantive esse pensamento por muitos anos. Companheiro de minhas noites de tristeza. Mantive-o sim... até o começo desse ano.

 

Everyday is so wonderful, then suddenly, it's hard to breathe
Now and then I get insecure, from all the pain
I'm so ashamed


Chega dezembro e eu começo a pensar em tudo que aconteceu deste mês ano passado até hoje. As mentiras, a dor, as falsas esperanças, a separação, o processo longo de recuperação e o vazio. Sem falar de todo o calvário com a faculdade e com a temida Monografia. Doze meses depois e a minha vida no geral continua a mesma. Ainda faço Letras, ainda fico boa parte do meu tempo na frente do computador, ainda tenho uma relação estranha com meus pais, ainda me dedico a coisas que não me fazem progredir, ainda não trabalho. E poderia estender esses aindas infinitamente. Mas, quando volto ao meu olhar a parte que realmente importa, o interior, ah, meu caro, a coisa é outra. Tudo pode ser igual do lado de fora. Já por dentro...

 

I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes words can't bring me down
So don't you bring me down today


Lá, o inverno que sempre for predominante, rei absoluto, majestoso, dono das ações, foi perdendo a suas forças para as outras estações. Muito do que eu sofri durante a minha vida, o sofrimento real, começou a se tornar lembranças borradas do passado. Abri muitas portas, trouxe a tona lembranças dolorosas, entendi muito do que é complicado em mim. Com isso, abandono alguns giz de cera usados. Não preciso mais. Outros, ainda estão na caixa e volta e meia, preciso, usá-los.  Andando pelo corredor do meu coração, vejo tantas outras portas trancadas. Sei que há muito a desvendar em mim mesmo, mas sei também que haverá a hora certa para isso. Tudo bem. Um dia, esses gizes também vão embora.

 

To all your friends you're delirious
So consumed, your all alone
Trying hard to fill the emptiness, the pieces gone,
Left the puzzle undone, is that the way it is?


Hoje, ultimo dia do ano, não consigo parar de pensar não somente em tudo que continuou igual, mas em tudo que mudou a partir das escolhas que tomei. Abandonei boa parte das atividades que mantinha na internet, comecei a sair mais com pessoas do mundo real, resolvi conflitos importantes de identidade, abri mais minha vida a pessoas realmente confiáveis. Sinto-me mais livre, mais liberto. Não estou mais preso a sentimentos ruins. Não preciso mais de tantos gizes de ceras. Uma sensação bem peculiar.

 

You are beautiful no matter what they say
Words can't bring you down, No, no
Cause you are beautiful in every single way
Yes words can't bring you down. Oh, no
So don't you bring me down today


Eu cresci nesse último ano, mais do que todos os outros 21 de minha vida. Não por que trabalhei mais, vivi mais, desfrutei mais experiências. Não. Foi pura e simplesmente por que eu parei de reclamar do que não dava certo e olhar para tudo que tenho de bom em mim. Força em minhas mãos, coragem em meu coração e um caminho aos meus pés, pronto para ser seguido. Além de uma mente que é, hoje, capaz de reconhecer o quanto evoluí, mas que acima de tudo, sabe ver também o quanto ainda tenho a amadurecer. Não há como negar, minha vida está melhorando e eu não quero voltar mais atrás. Chega. Hora de crescer.

 

No matter what we do,
No matter what we say,
We're the song inside the tune, full of beautiful mistakes!


Mesmo assim, às vezes, somente às vezes, eu penso em todas as pessoas que fui perdendo no passar dos anos. Amigos que me abandonaram por terem sido manipulados, pessoas que eu machuquei sem querer, gente que não merece nenhum tipo de consideração. Alguns eu queria de volta agora, outros não. Contudo, mesmo tendo indo embora de minha vida, todos eventualmente me deram uma lição. Seja de paciência, seja de respeito, ou seja, simplesmente de confiança. Todos foram importantes de algum modo para meu crescimento vezes, da uma saudade... Uma vontade de ser de novo aquela pessoa,  vontade essa que felizmente sempre passa.. Eu cresci, mas ainda tenho a mesma essência.

 

And everywhere we go, (And everywhere we go)
the sun will always shine
(The sun will Always, Always, Shine)
And tomorrow we might awake on the other side


Por mais que eu tenha sofrido muito esse ano, eu só tenho a agradecer. Agradecer por tudo isso me tornado uma pessoa verdadeiramente mais forte e madura. Agradecer por me fazer ver que enquanto há pessoas que não valem nada, há tantas outras que jamais vou conseguir retribuir com exatidão o quanto gosto de estar com elas. Agradecer por que, no fim, mesmo sozinho, eu me tornei dono de mim mesmo. E feliz. Feliz afinal.

 

'Cause we are beautiful no matter what they say
Yes words won't bring us down, no
We are beautiful in every single way
Yes words can't bring us down, oh , no
So don't you bring me down today

 

 

--- 

 

 

 

 

 

Feliz 2009

Que todos os seus sonhos se realizem!

 

Música: Christina Aguilera - Beatiful



- Escrito por: Will às 03h51
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



My High School Musical



 

 

Quem me visse adolescente, me veria hoje. Nunca fui rebelde, segui modinhas ou radicalizei minha aparência. No máximo umas correntes no pescoço, um anel no dedão e meus cds do Legião e do Capital nos ouvidos. Fora isso, era um adulto jovem. Sina de CDF. Na escola, sentava bem na frente, acompanhava tudo com bastante dedicação, ao contrario da minha turma que condizia mais com a sua idade de adolescente. Apesar de ser diferente deles, eu era parte do grupo, me sentia bem ali, sendo eu mesmo. Foram anos felizes com as minhas turmas de ensino médio. A escola acabou, entrei na faculdade e senti-me aliviado de estar em um ambiente que exige uma postura mais madura e adulta de mim. Mas lá, no fundo, bem no fundinho, eu senti sempre uma falta da alegria juvenil, de atos imaturos e inconseqüentes ou de pura e simples ação de viver em função dos sonhos sem pensar no amanhã. Mas aí, eis, então, que surge High School Musical.

 

 

 

 

Qualquer pessoa que não viva numa caverna já ouvi falar de High School Musical. Trata-se de uma série de filmes que aborda dilemas juvenis utilizando personagens superficiais como pires de café num contexto extremamente idealizado e irreal. É muito criticado por quem diz conhecer cinema, o que, conseqüentemente, faz uma boa parte dos jovens amar. Na primeira vez que ouvi falar desse filme, eu virei a cara como a maioria dos adultos. Num dia meio deprê, amante de musicais e de filmes da disney como sou, resolvi assistir para ver o que tinha de tão especial em algo tão adorado por tanta gente.  Como todo bom fã, eu critiquei bastante, mas por fim, relutante de esconder meus torpes desejos admiti. Eu adorei. Foi paixão a primeira vista! Desde então, tenho curtido todas as músicas e visto os filmes o máximo de vezes possível.  Meu irmão bem que sabe. Pra quem quiser uma prova concreta, é só ver de quem é a minha música mais tocada em meu Last-FM.

 

 

 

 

No final de semana passado, fui ao cinema com três amigos assistir a nova versão dessa série de sucesso da Disney, High School Musica 3: ano da formatura. Sempre achei as histórias dos HSM anteriores fracas, apesar de amar as músicas. Contudo, desse filme em especial não encontrei nada para reclamar. Talvez por lembrar-me da minha formatura na escola, ou por dessa vez a história ter um tom mais de despedida. Não sei. Sei apenas que meus olhos brilharem com aquelas cenas forçadas e artificiais entre as músicas, aquele padrão de cotidiano exclusivamente construído para atrair jovens consumistas e aquelas danças coreografadas que estenotipam um padrão de comportamento dentro da escola. Tudo inegavelmente me fascinava. Tudo atordoamente me encantava. Não consigo mentir: High School Musical realmente mexe comigo.

 

 

 

 

Pode soar muito estranho pra quem não me conhece muito bem, mas eu adoro tudo que remete a imaginação, o que não seria diferente desse filme. Com ele, recuperei todos aqueles elementos que não aproveitei durante minha adolescência. Aquela sensação de liberdade, de infantilidade, de ser o que quero ser. Em meu estagio, por exemplo, dei aula para adolescentes que me achavam um E.T. por saber o que é um Playstation 2 e Ragnarok. Seria irônico dizer que um dos motivos que me fizeram deixar de lado a idéia de ser professor seria ter uma mentalidade similar a deles, sempre acreditando que o mundo é muito mais do que se vê, que a escola não precisa ser um lugar para sufocar sonhos, mas que deve servir para construí-los passo por passo. Sei que nem todos os educadores agem de forma repressora, mas quem convive num ambiente escola sabe que são esses a grande maioria. Talvez por falta de verba ou de incentivo, a educação no Brasil está longe de ser como mostrado nesses filmes. Contudo, por não disporem de um espaço físico tão grandioso, as escolas não podem ter os mesmos objetivos que os apresentados nos filmes? Ou ensinar valores que busquem a construção de uma identidade compatível com nossos gostos e uma luta eterna pela concretização de nossos sonhos é idealizado e irreal demais para nós?

 

 

 

 

Além de atrair jovens em função de apelos comerciais, High School Musical resgata o que há de legal no ambiente escolar que ressoa muito além da sala de aula. São aquelas danças e músicas, por mais forçadas e coreografadas que sejam, que mostram um pouco do lado colorido, alegre e vivo do mundo escolar. De um jeito bem leve e superficial, esses filmes tratam de dilemas juvenis. Como no primeiro filme, os jovens buscam ser quem querem ser sem se importar com o que os outros pensem disso ou como no último que fala das esperanças e expectativas que os jovens criam ao deixar o ambiente escolar. As músicas e as danças são o grande atrativo do filme, mas não se pode ignorar completamente que por baixo desse pano há questões interessantes a se analisar. Seguir seus próprios desejos ou agradar seu grupo de amigos? Lutar pela realização dos seus sonhos ou apenas seguir o que seus pais esperam que você siga? Valorizar seus amigos ou seus objetivos? O amor realmente pode existir no ambiente escolar? Todo adulto passou por esses dilemas. Por mais superficiais e imaturos, esses questionamentos e muitos outros fazem parte da construção da nossa identidade, passos de nosso crescimento, que estão presentes nesses filmes, de forma superficial, mas estão. São coisas como essas que nos fazem pensar se não estão os jovens certos em serem "superficiais" e terem uma concepção idealizada da vida, por mais improvável que seja, que faz com que vejam a vida a partir uma visão que nós, adultos, não conseguirmos ver. Talvez, se os compreendêssemos melhor, não os acharíamos assim tão revoltados.

 

 

 

 

Além disso, há o lado atrativo a todas as idades e que todos os fãs dos filmes admitem gostar (dificilmente admitem gostar da história): as músicas e danças. Quem não gostaria de uma musiqueta de fundo e danças coreografadas naquele momento em que tudo parece ir bem? Ou luz baixa, um solo de uma música lenta naqueles dias deprês? Eu rio muito com algumas cenas, me comovo com outras! Isso me faz lembrar da época que voltava da escola e cantava pra mim mesmo fingindo que vivia num musical... Ah, se a vida fosse um musical... Para nós, pobres normais (não mortais), nos sobra associar essas músicas a momentos de nossas vidas.  As músicas das duas primeiras versões dessa série remetem sempre a momentos importantes que passei nos últimos anos. As do primeiro foram toda a fase inicial do meu namoro e as do segundo a final. O terceiro ainda não tem muita significância pra mim, mas me conhecendo, acredito que logo terá, até por que esse ano foi um ano de bastantes mudanças internas, similares as da temática do filme. Uma época de grande rivalidade frente a vida para mim.

 

 

 

 

High School Musical pode ser só mais uma entre tantas modinhas juvenis que vem e vão e são esquecidas no tempo. Não importa. É uma série de filmes adolescentes que nos fazem pensar que a vida pode ser divertida, seja com dança, com cantoria ou com situações forçadas... São coisas assim que nos fazem por um dia esquecer que a vida é cheia de problemas e nos leva a cantar e dançar Balão Mágico pelas ruas de Passo Fundo. Um verdadeiro High School Musical em nós.

 

 

 


E prepare-se para a guerra se dize que eu sou velho demais para gostar de coisas de criança! Sou INFP e esse P faz toda diferença para mim!

 

 

---

 

 

 

 

All together, makes it better
Memories that last forever
I want the rest of my life to
Feel just like a
High School Musical!

 

 

---

 

 

 Bonus!

 

 

 

 

Eu e meu amigo Eric (vulgo Zélia Dunkel) refizemos o dialogo da música I want it all (cena acima) Pra quem quiser conferir (e rir), clique aqui.

 

 

---

 

 

Quanto ao futuro...

 

 


 

Agora que a monografia ja era, The boy is back ;)
Volto a atualizar o Blog :D
Cya!



- Escrito por: Will às 17h31
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Mar



Mar

 

 

“Deixa-me ser o que sou,
o que sempre fui,
um rio que vai fluindo.
E o meu destino é seguir... seguir para o mar.
O mar onde tudo recomeça...
Onde tudo se refaz....”

 

 

[Mario Quintana]

 

----



- Escrito por: Will às 14h01
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Aos 30



Prometi a mim mesmo que aos 30 anos faria tudo que sempre quis fazer. Aos 30, irei estudar menos, me estressar menos com trabalho, perder menos tempo com detalhes e aproveitar muito mais o dia. Furarei minha bolha e viverei clichês de romanceloides. Aos 30, irei caminhar mais ao ar livre e absorver outros climas, brincar com meu cachorro e seu osso esverdeado, ver o por do sol sumir entre nuvens alaranjadas, sair com as pessoas que eu amo. Prometi que aos 30 não terei medo de dizer o quão especial certas pessoas são para mim por receio da maldade alheia ou da minha própria.

 

Prometi que aos 30, comerei as guloseimas mais gordurosas sem me preocupar com meu peso, rir mais dos meus próprios erros, brincar mais com meus defeitos, me permitir ser humano. Aos 30, vou encucar menos com problemas do dia-a-dia e deixar que a vida simplesmente aconteça. Viajarei para longe e deixarei que meu espírito finalmente siga seu caminho e admira tudo aquilo que a minha pressa em não viver não me deixa ver. Prometi que aos 30 veria o mar e deixaria que ali as ondas lavassem meus medos.
 

Prometi que aos 30 iria me exercitar mais, melhorar minha saúde, cuidar mais da minha aparência e da minha mente. Aos 30, lerei todos os livros que meus amigos dizem ser bons, mas que pela velha e esfarrapada desculpa da falta de tempo, eu não me deixo aproveitar. Prometi que sorrirei mais, que cantarolei minhas músicas favoritas em público, tomarei aquele banho de chuva sem me preocupar se pareço ridículo ou bobo para os outros.

 

Prometi que aos 30 me importaria menos com a vontade alheia e mais com a minha própria, que deixarei tudo que não me faz bem fora de minha vida, que me amarei antes de amar qualquer outra coisa.  Aos 30 beijarei mais, namorarei mais, me entregarei mais de corpo e alma a alguém para que quando quebrasse a cara soubesse que valeu a pena. Aos 30 cantarei Beat It com meu melhor amigo num Karaoke, farei uma tatuagem de um XIII atrás do meu ombro esquerdo, irei ao cinema, jogarei mais truco e errarei ainda mais na hora de dar as cartas, zoarei mais meus primos para rir de sua raiva em seguida, verei os tão sonhados trens de minha melhor amiga. Prometi que pararei de evitar a minha própria felicidade. Prometi aos 30 que cuidarei melhor do meu coração.

 

Prometi que aos 30 não haverá mais lágrimas, nem dores, que a passagem do tempo será apenas um sabor amargo pequeno diante de tudo que a vida pode me oferecer. Aos 30, não haverá mais magoas e frustrações, apenas o desejo eterno de sempre seguir sempre em frente. Prometi principalmente que aos 30, não vou deixar para amanha, todos os meus sonhos, todos os meus desejos, tudo aquilo que me faz bem hoje. Se tudo que prometi não acontecer aos 30, não importa.  Que seja então aos 40, aos 50, aos 60, aos 70 ou aos 80.

 

Prometi a mim mesmo que aos 30 anos eu seria feliz.

 

---

 

 

 

Já chegaste aos 30?



- Escrito por: Will às 05h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Confissão



Prazer, esse sou eu. Prefiro começar pelo começo. Talvez, você até ache que saiba quem sou eu, mas eu duvido, francamente. Nem eu mesmo sabia. Ninguém sabia. É complicado conviver com uma pessoa que não se conhece. Entendo seus sentimentos. Mas hoje acordei com aquela coisa que não consigo explicar. Hoje, a cortina se abre, o show inicia e o mistério se encerra. Vamos lá.

 

Se você espera encontrar aqui um texto bonitinho com vírgulas e pontos bem posicionados, construído e lapidado, quase que rimado, pare de ler agora. Esse texto não promete ser nem bonito, nem agradável, muito menos ter uma lição de moral ao final, que te fará pensar. Não hoje. Esse texto pretende ser um choque aos seus sentidos, um chute no seu saco, um murro bem no meio da sua cara. Hoje, esse texto é meu. Somente meu.

 

Não preciso dar meus dados. Eles são objetivos. Meu nome, minha idade, minha data de nascimento. Eu sei, você sabe, minha mãe sabe. O que eu sou, o que tem valor, o que realmente importa é quase imperceptível. É subjetivo. É impreciso. É profundo. O que importa é o inominável, o incerto, o que está jogado ao acaso. O que é verificável e correto você procure descobrir por conta própria. O que eu ofereço, ah, o que eu ofereço agora é a minha essência

 

Eu sou um animal pensante. Adora observar, analisar o mundo, ver o comportamento dos outros, confabular hipóteses. Não nasci para viver a vida, mas para observá-la e acompanhar o caminho de sua seiva. Vou contra a maré. Gosto do elogio, gosto da sensação do trabalho bem feito, mas gosto acima de tudo de não ser o centro do universo. Sou viciado na minha própria anti-sociabilidade, mas não dispenso estar com pessoas, ver seus sorrisos, escutar suas neuras, ajudar em seus problemas.  Amo ficar escondido na passividade e ver tudo de longe, ouvir conversas, rir de piadas. Amo não viver. Amo não socializar. Amo ser eu.

 

Sou funcional e estruturado, mas odeio ser racional. Sou sentimental, dramático, afrescalhado, problemático, mas sou discreto e respeitável. Tenho caráter, sou integro e confiável, caracteristicas que certas pessoas não têm. Odeio receber conselhos e ser ajudado. Odeio funcionar como uma unidade. Sou um ser que não se completa por si. Eu sou um paradoxo! Droga!!! Que sensação! Eu sei! Eu sei quem sou e ninguém pode tirar isso de mim!

 

Chega de enrolar. Vamos ao ponto principal.

 

Eu a traí. Admito. Acabei com meu casamento tão bem fundando com a escrita. Cansei de construir meus sonhos a partir dela. Esperar que ela amanhã satisfaça minhas necessidades básicas. Acreditar com fidelidade que é essa relação, esse futuro, isso que eu quero para mim. Não é. Não quero mais sua frigidez gramatical, suas curvas delimitadas. Não quero. Como um pervertido sujo, me esgueirei pelas vielas rumo a minha nova paixão, meu novo flerte. Ela não sabe desse seu efeito em mim. Com vergonha, confesso: A psicologia começou a me interessar. Talvez, não dure. Talvez amanhã ela ache alguém mais jovem, mais afortunado do que eu. Sei de como é interesseira. Talvez, amanhã, volte de joelhos pedindo arrego a meu antigo amor, mas o que importa? Sei o que sou! Um amante sujo! Danem-se os tititis das moralistas canônicas! Eu vou tentar, diabos! E seja o que Deus quiser!

 

É isso. Acabou. Me sinto em pecado, mas não ligo. Aqui está minha confissão. Não é poética, não é bonita, mas é real. Tem conteúdo. É passível de analise. Não espero sua aprovação, nem sua compaixão. Não espero nenhum comentário a não a ser aquele que consigo ver dos olhos dos frustrados que não tiveram a mesma coragem que eu. E prazer, esse sou eu. Pode não ser do seu agrado, talvez nem do meu, mas eu sei quem sou e ninguém pode tirar isso de mim. Ninguém.

 

---

 

 

 

 

E seja o que Deus quiser!



- Escrito por: Will às 04h14
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Madrugada



Madrugada
Serena e Calma
Que nasce vagarosamente varrendo raios dourados do dia
Adormecendo mundos irrequietos, a cidade inteira
Levando consigo meu sono por completo

 

Madrugada
Que paralisa meu mundo e congela minha emoção
Fazendo-me apalpar antigas feridas
Coisas antigas e esquecidas
Que não cicatrizam mais


Madrugada
Que apazigua meu corpo, intimida
Que me enche de dúvidas, aumenta minhas chagas
Entorpece meus sentidos, suprime minha razão
Me faz gritar cada vez mais


Madrugada
Extensa, longa, infinita
Que imerge minha alma na escuridão impura
Fazendo meu coração lutar por uma fuga
Rumo a uma possível liberdade obscura, pra se salvar


Madrugada
Que faz de mim lobo solitário
Desejoso da luz noturna, cansado do resguardo
Jogado eternamente aos esbarros
Em sentimentos e medos que preferia não encontrar

 

Madrugada
Que amanhece à aurora de cada dia
Mexendo em meu ser, aguçando minha vida
Para que eu consiga entender afinal
Que adormecer não basta...

 

Eu quero despertar!


 


---

 


 


 


Adormecer não basta...

 


---

 


Last draw


 


As madrugadas que fico acordado foram angustiantes o suficiente para me motivar a criar esse poema. Relevem a pobreza em certos aspectos, não sou muito de escrever poesias.  Certas construções desse texto são propositais, tais como o número de estrofes e alguns problemas estruturais, de resto é empenho de novato.


 Desde meu aniversário, eu não fiz nada de muito diferente com a minha vida com exceção da lista que citei no outro post. Estou me reorganizando, revendo meus conceitos. Estou tentando mudar determinados pontos para que eu consiga gostar mais do que faço, gostar mais de mim mesmo. Isso provavelmente afetará meu blog no sentido de serem escritos textos com mais essência. Eu preciso aprender a deixar a vida seguir como deve ser, incluindo o que escrevo. Não me refiro à pobreza textual, mas a liberdade de minha escrita de si. Talvez a mudança mais brutal que comecei a realizar agora foi abolir tudo que me faça mal e que pouco me traga de bom. Chega. Eu quero paz. Adeus madrugadas da minha vida. Hora de amanhecer.



- Escrito por: Will às 04h11
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Instinto Selvagem



Passos silenciosos, direcionados, convictos. Ao fundo, rosnados silenciosos, secretando profundos desejos. Sabe o que quer. Caminha lentamente ciente de seu objetivo. Poderá realizá-lo? Não sabe. Mas irá tentar. Nunca irá parar. Destemido e certo de suas mais obscuras vontades, prepara-se para a mais derradeira, a mais importante de suas lutas. Uma fera solta em busca de sua caça. A liberdade. Consegue senti-la?

 

Alguns dias atrás, cansado de ficar enclausurado dentro de casa, fui até o zoológico com minha família. Nunca fui muito fã desses passeios. Ver animais enjaulados, irritados e carentes, transitando inevitavelmente dentro dos mesmos meios. Não vejo nada de natural nisso. Sem falar da semelhança gritante que todo esse clima tem com a minha própria rotina. Enfim, sem ter opções mais interessantes de passeio, acabei indo. Mal sabia eu que daquela vez seria diferente.

 

Chegando lá, caminhei livremente, respirei um ar diferente do habitual. Em meio a jaulas, fui alforriado. Um sentimento paradoxal.  Enquanto minha família olhava os animais, fui até o único que me interessava naquele lugar. O leão. Rei soberano e selvagem, símbolo de força e poder, magnificência da juba dourada. Aquele, talvez, nem tão imponente assim, mas não deixava de ser, afinal, um leão.

 

Meu estimado amigo naquele dia parecia não estar para papo. Deitado de costas para mim em sua majestosa tabua parecia distante dali. Sentei e aproveitei os poucos momentos de solidão para acompanhar seus pensamentos.  Talvez divagasse sobre as savanas longínquas, recheados de suculentos gnus e deliciosos antílopes que fugiam ferozmente da sua gula carnívora, ou nas leoas fieis e corajosas que jamais lhe abandonariam no calor da batalha ou nos inquietos e curiosos filhotes que herdariam todo seu legado, quando em uma brava e heróica luta a força em seus músculos lhe faltasse e chegasse, enfim, o momento de dizer adeus. Um pomposo e corajoso reinado digno de um soberano. Um pomposo e corajoso reinado que jamais irá existir. Visíveis sonhos irrealizáveis para aquele pobre leão.

 

Compadeci de sua tristeza. Não por ser um simples animal enjaulado, mas por dizer muito de mim mesmo. Sentado ali, aproveitei aqueles poucos momentos para abandonar minha racionalidade mais uma vez e desabafar palavras vagas. Balbuciar frases desconexas. Rugidos sem ritmo. Pensamentos que falariam por nós dois. Coisas que meu próprio coração saberia que ele entenderia. Quando percebi, estava ele, aquele mesmo pobre e domesticado leão, de uma tristeza distante e sonhos despedaçados, olhando diretamente para mim.  Surpreso e um pouco aterrorizado, fitei com um pouco de coragem tais orbitas ameaçadoras.  Olhos de uma certeza profundamente assustadora, de uma determinação cortante que queriam me fazer despertar e também ver algo que eu não via. A liberdade que fazia questão de não perceber, da jaula ilusória que prendia minhas vontades e da minha própria falta de vontade em querer viver.  Foi somente com o olhar intimidador de um leão que compreendi que as grades que me prendiam eram apenas as que eu mesmo havia colocado para mim. Ao sair de lá e o olhar uma última vez para, refleti sobre nós. Por mais que quisesse acreditar que aquele leão não entendia nada do que havia dito, eu vi em seus olhos que, para nós dois, aquilo tudo não era o bastante.

 

Nós escolhemos nossas grades, nossas jaulas, nossas gaiolas. Escolhemos o quanto desejamos, prezamos e buscamos nossa liberdade. Mas acima de tudo, escolhemos se queremos ser livres. Não são nossos trabalhos, nossas famílias, nossas obrigações diárias que nos impede de viver, mas nós mesmos.  A fome em se ter tudo e nunca abrir mão de nada faz com que se perca o direito de ser livre.  Somos nós que colocamos tarefas, objetivos, sonhos acima das nossas vontades, do nosso amor próprio, da nossa liberdade. Ninguém mais. Somente, quando se compromete arriscar à perda, ao sofrimento, ao deixar para trás é que nos livramos de nossas algemas, de nossas gaiolas, de nossas jaulas e damos nosso primeiro passo na direção certa, voltamos a sentir nossas jubas roçarem carinhosamente o vento e encontramos o caminho de volta para nossas savanas perdidas, o nosso lugar afinal. E não se precisa de nenhuma conversa entre leões para isso acontecer.

 

---

 


 

Habituamos a viver enclausurado em nossas rotinas, seguir sempre os mesmos habitamos, caminhar pelas mesmas estradas, mas até onde nos deixamos viver? Seguir por outros rumos? Até onde você se permite ser livre? Quando que não somos nós os pobres leões presos em nossas jaulas e quando também não somos nós que permitimos que seja assim?

 

 

---

 

 

Last Draw

 

 

Agradeço a Tici pela idéia.  Estou me dando esse texto de presente de aniversário, já que trata de um tema que eu gosto a partir de uma narrativa elaborada em cima de uma visita que fiz ao Zoológico da UPF algumas semanas atrás. A narração é completamente verídica tanto que tirei algumas fotos. Para quem quiser conferir o leão olhando para mim, clique aqui.

 

Estou cansado, estressado e irritado, exatamente como ando nos últimos meses. Motivos? Não sei. Apenas sei que minha rotina está me sufocando completamente. Levo semanas para conseguir escrever um texto, mal lido com assuntos da faculdade, mal procuro ou tento me animar. Não que goste de ficar assim, mas que são tantos problemas ligados e eu não consigo simplesmente acabar com eles. Não consigo encontrar a raiz de tudo, nem consigo ficar um dia sem me sentir mal. Às vezes, entro em paranóias de querer tudo perfeito, um perfeccionismo completamente inalcançável. Acho tudo que faço uma droga e não consigo me dar por satisfeito nem por um segundo. Por isso tudo, eu achei melhor começar a fazer postagens mais irregulares aqui. Eu preciso de tempo pra encontrar a causa disso tudo e resolver. Até lá, prefiro ir devagar com responsabilidades que realmente não tenho motivo para manter. Como o blog. Assim, que me sentir bem para escrever, livre para postar como quiser e achar isso divertido, eu volto a postar com mais freqüência. Enquanto isso, férias parciais. Nunca vou abandonar a escrita, ela faz parte de mim, mas preciso de um tempo para me resolver como ser humano. Ou pelo menos, tentar. Vou fazer uma lista de tudo que realmente não preciso mais na minha vida e riscar. Chega.

 

A faculdade anda chata, pesada e desgastante como sempre. A monografia finalmente está saindo e eu estou tentando relaxar mais. No mais, eu tenho saído bastante até. Teve um jantar bem legal do Bando Letras esses tempos e eu me diverti bastante. Também joguei cartas com uns amigos do Sikora, galera bastante divertida. Teve até uma combinação de ida até o cinema que não rolou, mas que, talvez, fique para a próxima. Tenho saído mais, isso me anima. Estou me preparando para tomar decisões difíceis que vão alterar o resto da minha vida, mas que precisam ser feitas. Liberdade. Eu realmente preciso dela. That’s all, folks!



- Escrito por: Will às 04h34
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Ciclo Sem Fim



Alguém não gosta de você. É. Alguém passa noites e noites acordado elaborando planos milaborantes. Sim. Alguém move legiões de pobre ignorantes com argumentos inventados, criando confusão por sua causa. Aham. Você é o principal adorador do diabo, o ser mais horrível das trevas, o estímulo à maldade do mundo... Duvida? Para alguém você é. Acredite.


Sempre há algum ser que por alguma razão variada não gosta da gente. Decepção, raiva, ressentimento, às vezes, somente recalco. Sempre há uma motivação, um desejo secreto, que os leva, que os faz agir. Nós, na maioria das vezes, nos irritamos, estressamos, mas lá no fundo, bem lá no fundo, temos um nebuloso sentimento muito nobre, que muitos sonhadores buscam acha-lo, mas que poucas pessoas sortudas conseguem encontra-lo. Sem clichês românticos, por favor! Refiro-me a indiferença


Vai dizer que não? Enquanto, você lê essas linhas alguém reflete a respeito do quanto não gosta de você, o quanto desprezível a sua presença representa a humanidade, o quanto deseja, almeja, necessita que sua existência desapareça da face da terra. E você? Contorceu-se de raiva? Espumou pela boca? Mordeu seu rabo? Não? Ah, meu caro! A indiferença é maravilhosa, não é?


Eis a terra fértil dos sentimentos. Dela, surgem rosas vermelhas de paixão, brancas de amor, árvores resistentes como amizades verdadeiras e imensos baobás sólidos, às vezes destrutivos, similares a relações com nossas famílias. Da indiferença vem e para indiferença retornam. Por razões variadas, as flores perdem seu encanto, murcham, as árvores secam, morrem e os baobás tornam-se lembranças distantes do passado. Todas as relações que construímos terminam de uma forma ou de outra. É um ciclo. Um chamado a indiferença outra vez.


Mesmo assim, manter ou não determinadas raízes presas a essa terra é uma escolha nossa. Apesar de destrutivo, o ódio é um adubo poderoso, que nutri certas rixas, impede que feridas se fechem e mantêm vivas determinadas plantas que paras outras pessoas morreram há muito tempo atrás. Por bem ou por mal, o ciclo se completa, mesmo que não exatamente do jeito que deveria ser. Dessa forma, continuaremos não lutando, não discutindo, não brigando, simplesmente não ligando para a existência de alguns, esperando que algum dia, esses seres, tenham a mesma a sorte de não sentirem nada também e assim darem finalmente um rumo a suas vidas.


---



Indiferença... Existe de fato? Ou trata-se apenas de uma forma de se mascarar outros sentimentos?


---


Last Draw


Minhas últimas duas semanas foram mortas. Muito mortas. Eu estou completamente desmotivado com a faculdade, por causa do estresse que ando passando com a monografia. Fiquei entocado o último mês inteiro, lendo posts, analisando perfis, colhendo teorias. Foi um inferno. Em compensação, eu usei meu tempo livre para jogar Playstation 2. Finalmente, comecei Kingdom Hearts do jeito certo e estou me dedicando a saber mais de Resident Evil. Também, marquei saídas com amigos, caminhadas, idas ao cinema, saídas que acabaram não acontecendo. Por outro lado, fui com minha família até o zoológico. Tirei algumas fotos interessantes e acabei ganhando uma historia muito interessante sobre o Leão de lá que contarei no meu Deviantart ou no Orkut. Esperem pra ver. As aulas começaram e lá vai tudo outra vez. Já estou com saudade das férias. Até o próximo texto!



- Escrito por: Will às 02h50
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________



Limpeza Completa



Vassoura, balde e espanador. Era seu único vício. Sua única paixão. Não havia um final de semana, um feriado qualquer que a mulher não se divertia em meio aos seus produtos de limpeza. Não havia prazer maior para ela do que ver sua casa limpa, o chão brilhando e a bagunça fora dali.  O que talvez não se encaixasse em seus planos era sua família.

 

Enquanto a mulher trabalhava ardedemente para que a limpeza estivesse em primeiro lugar em seu reino, seu marido e filhos causavam a discórdia ao não ratificarem com essa sua doce postura. Era muito comum ver as crianças cometerem a heresia de brincar no pátio da casa. E ainda por cima sujarem suas, tão cuidadas e marejadas roupas. Gritos, pancadaria, xingões. Problema resolvido. Os moleques ingratos não se atreveriam mais a romper com seu reinado de limpeza.

 

O marido era outro problema. Pouco fazia ou se quer se importa com sua bendita necessidade de ordem e limpeza. O desgarrado homem resguardava-se frente à lei e ordem do detergente que protegia aquele sagrado lar da sujeira. Não pegava uma vassoura para varrer o chão, nem espanador para retirar a poeira dos moveis, muito menos lavar suas roupas. Era o inferno! Mas, no final do dia, quando ao longe já era visível o belo pôr-do-sol pelas janeiras limpamente envidraçadas, sentia-se satisfeita com seu legado realizado. Suas vassouras compensavam tudo afinal.

 

Sair com as crianças? Jantar com marido?  Passeios em família?  Qualquer momento de alegria, momentos de paz e diversão momentânea, situações irrelevantes. Pouco importava para ela.   Não se recordava. Sua memória estava desinfetada. O cheiro dos detergentes era sua lembrança mais viva.  A casa organizada sempre assim estava e a mulher não tinha nada a se preocupar. Reclamações da sua família eram completamente varridas da sua mente. Seus desejos eram tão higiênicos, quanto seus sonhos.

 

O tempo passou. A poeira não fora embora. Por mais que tentasse, nada mudou. A casa precisava ser organizada, sua família sempre obstruía o sucesso de seus planos. Contudo, aos poucos, o reflexo dos seus filhos no chão limpissimo começara a desvanecer. A presença fétira do marido entre os matérias de limpeza já não se sentia mais. Onde estaria sua família? Seu motivo principal de ardor? ... Quem se importava? A casa estava limpa! Era tudo que interessava. Mesmo não estando ali, sentia que somente assim tudo estaria afinal em seu devido lugar. Vassoura, balde e espanador. Era seu único vício. Sua única paixão.

 

---

 

 

 

 

Um texto que eu escrevi pra minha mãe um tempo atrás, mas nunca passei pro computador. Apesar de hoje em dia, ela estar mais tranqüila nesse lado de limpeza, ela já foi extremamente neurótica com isso.

 

 

---

 

Last Draw

 

 

 

 

Por enquanto, atualizarei o blog a cada duas semanas. Assim, não sufocará ninguém, caso alguém queira acompanhar todos os posts, além de me dar mais liberdade para cuidar do Revil e da faculdade sem me sentir pressionado por aqui. De quebra, criei essa micro seção para relatar como foram meus últimos dias, caso alguém tenha interesse em saber. Terminei minhas arrumações internas e estou bastante ocupado com a faculdade (monografia e projeto de pesquisa), Revil (novo fórum, revisões, problemas internos), com minha vida real (começando a sair mais de casa), o que não acho nada ruim. O Tédio me irrita profundamente  Fiz uma operação alguns dias atrás para consertar um dente quebrado. Tenho algum carma não pago de outra vida com dentistas. Também, finalmente, depois de anos de espera, comprei meu playstation 2. Agora só falta arrumar tempo para jogar. A foto acima sou eu com a espada samurai do meu primo (katana, whatever). Tiramos algumas outras fotos bizarras, que acabaram indo parar no Orkut. No mais, é isso. Não tenho grandes prognósticos para os próximos dias a não ser me focalizar em cima da faculdade e terminar o conteúdo que ainda tenho para revisar para o Revil. Até a próxima!



- Escrito por: Will às 02h55
[ ] [ envie esta mensagem ] [link]


__________________________________________________




Quem sou eu? Grande parte de nossas marcas identitárias não está em nós mesmos. Está nos outros, no mundo. Por aí. Mas tudo bem. Não custa nada tentar responder a partir de minha própria experiência, uma vivencia singular com um bicho estranho chamado eu. Auto definição pode ser algo no mínimo divertido.

Prazer, esse sou eu. Não preciso dar meus dados. Eles são objetivos. Meu nome, minha idade, minha data de nascimento. Eu sei, você sabe, minha mãe sabe. O que eu sou, o que tem valor, o que realmente importa é quase imperceptível. É subjetivo. É impreciso. É profundo. O que importa é o inominável, o incerto, o que está jogado ao acaso. O que é verificável e correto você procure descobrir por conta própria. O que eu ofereço, ah, o que eu ofereço agora é a minha essência

Eu sou um animal pensante. Adoro observar, analisar o mundo, ver o comportamento dos outros, confabular hipóteses. Não nasci para viver a vida, mas para observá-la e acompanhar o caminho de sua seiva. Vou contra a maré. Sigo até a origem do iceberg. Adentro a superfície. Gosto do elogio, gosto da sensação do trabalho bem feito, mas gosto acima de tudo de não ser o centro do universo. Sou viciado na minha própria anti-sociabilidade, mas não dispenso estar com pessoas, ver seus sorrisos, escutar suas neuras, ajudar em seus problemas. Amo ficar escondido na passividade e ver tudo de longe, ouvir conversas, rir de piadas. Amo não viver. Amo não socializar. Amo ser eu.

Sou um nômade sentimental. Uma interrogação em constante atualização. Um lobo solitário. Que enfrenta seus medos. Que não se deixa abater pela tristeza. Perfeccionista. Atento aos detalhes. Um verdadeiro significante para chato. Inteligente, dedicado, ambicioso. Preguiçoso, inseguro e impaciente. Um bicho raivoso. Briguento por natureza. Não leva desaforos pra casa. Não mantém nada, nem ninguém que faz mal por perto. Um ser de qualidade e defeitos bastantes peculiares.

Sou funcional e estruturado, mas odeio ser racional. Sou discreto e respeitável. Tenho caráter, sou integro e confiável, características que certas pessoas não têm. Odeio receber conselhos e ser ajudado. Odeio funcionar como uma unidade. Sou um ser que não se completa por si. Eu sou um paradoxo! Droga!!!

É isso. Acabou. Me sinto em pecado, mas não ligo. Aqui está minha essência. Não é poética, não é bonita, mas é real. Tem conteúdo. É passível de analise. Não espero sua aprovação, nem sua compaixão. Não espero nenhum comentário a não a ser aquele que consigo ver nos olhos dos frustrados. E prazer, esse sou eu. Pode não ser do seu agrado, talvez nem do meu, mas não importa, é isso que sou e ninguém pode tirar isso de mim. Ninguém.


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, a margem de nós mesmos." [Fernando Pessoa]


.:: Missing Crayon ::.

Sunset Orange

.:: Cadernos Variados ::.

A arte de viver
Anjo Maldito
Auto-destrutivo
Coisas da Gaveta
Diario de um Universitário
Divã Rosa Choque
Eden X
Felipe D'avila
Gabriel dos Anjos
Janitor of Lunacy.
Life on a Draw
Mundo Crazy
Rafael Motta
Sinta...
Tree Hill Raven
Tomás Barreiros
Um lugar ao Sol

.:: Rabiscos Antigos ::.

31/05/2009 a 06/06/2009
29/03/2009 a 04/04/2009
15/03/2009 a 21/03/2009
15/02/2009 a 21/02/2009
18/01/2009 a 24/01/2009
28/12/2008 a 03/01/2009
16/11/2008 a 22/11/2008
12/10/2008 a 18/10/2008
21/09/2008 a 27/09/2008
07/09/2008 a 13/09/2008
31/08/2008 a 06/09/2008
17/08/2008 a 23/08/2008
27/07/2008 a 02/08/2008
13/07/2008 a 19/07/2008
29/06/2008 a 05/07/2008
15/06/2008 a 21/06/2008
01/06/2008 a 07/06/2008
25/05/2008 a 31/05/2008
18/05/2008 a 24/05/2008
11/05/2008 a 17/05/2008
04/05/2008 a 10/05/2008
20/04/2008 a 26/04/2008
13/04/2008 a 19/04/2008
06/04/2008 a 12/04/2008
20/05/2007 a 26/05/2007
21/05/2006 a 27/05/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
12/02/2006 a 18/02/2006
22/01/2006 a 28/01/2006
08/01/2006 a 14/01/2006
25/12/2005 a 31/12/2005
18/12/2005 a 24/12/2005
11/12/2005 a 17/12/2005
04/12/2005 a 10/12/2005
27/11/2005 a 03/12/2005

.:: Lápis de Escrever ::.

willgaspar@gmail.com

.:: Votação ::.

Dê uma nota para meu blog

.:: Indicação ::.

Clique aqui para me indicar

.:: Contador ::.


XML/RSS Feed
Leia este blog no seu celular

.:: Créditos ::.

.:: Layout: Thomoeda ::.




Todos os direitos
reservados ©
___________